Empresa vai perfurar poço petrolífero no Amapá e usar o Pará como base logística

Angra dos Reis - RJ, 03/06/2011. SCAVE - Local do evento da Cerimônia de batismo da Plataforma P - 56. Foto: Ichiro Guerra/PR.

A possibilidade de encontrar petróleo na foz do Rio Amazonas atraiu a Total, empresa francesa de petróleo e gás, para o Norte do Brasil. A multinacional, que planeja fazer perfuração de poço petrolífero na costa do Amapá, pretende usar o Pará como base logística das operações. O projeto foi apresentado ao governador Simão Jatene em uma reunião no Palácio do Governo. A informa&ccedi l;ão está contida em edição da revista “Pará Mais”

Segundo o diretor geral da empresa no Brasil, Maxime Rabilloud, a bacia amazônica é a única onde ainda não foram feitas grandes descobertas de petróleo e gás, o que instiga o grupo a investir na empreitada. “Sou uma empresa petrolífera e não vou tentar?”, disse Rabilloud, ao informar que a corporação deve perfurar nove poços na região.

A Total se prepara para iniciar as operações de perfuração marítima e de pesquisa de petróleo no Norte do país, o que deve ocorrer em 2016. A área a ser pesquisada fica no Amapá, mas foi no Pará que a empresa encontrou a maior parte da estrutura necessária para montar a base logística do projeto.

“Ainda não sabemos se tem petróleo. As operações ocorrem a mais de 150 km da costa, em alto mar”, explicou Máxime Rabilloud. “Se encontrarmos petróleo, teremos desenvolvimento nessa área, porque precisaremos de cadeia de fornecedores e identificar pessoal para poder integrar nossas operações, que duram muitos anos”, reiterou.

Simão Jatene destacou que o estado do Pará tem interesse em projetos que estejam diretamente associados ao desenvolvimento de municípios paraenses, no combate à pobreza e desigualdade. “Nessa perspectiva é que o estado está trabalhando. É preciso ver como se trabalham esses projetos sem dissociá-los da sustentabilidade social e ambiental. Desejo que vocês tenham sucesso, e que parte desse sucesso se reflita na vida das pessoas que serão impactadas pelo projeto”, afirmou.

Depois da reunião com o governador Jatene, a Total ficou de iniciar as reuniões com comunidades no Pará para explicar como o empreendimento vai funcionar. A iniciativa faria parte dos requisitos solicitados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para a liberação de licenças ambientais.

Em setembro do ano passado, o governo paraense já anunciava que o Pará iria receber a base operacional da quarta maior empresa privada de petróleo e gás do mundo e uma das principais operadoras nas áreas de gás natural, refino, produtos petroquímicos e varejo de combustível e lubrificantes.

O diretor geral do Grupo Total E&P (Exploração e Produção) do Brasil, Maxime Rabilloud, esteve com o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Adnan Demachki, para anunciar a instalação do escritório administrativo em Belém, concentrando a gestão empresarial na capital paraense, com as operações físicas previstas para  o ano seguinte (2016) na costa litorânea dos estados do Pará/Amapá.

À época, Demachki observou que a instalação de um novo empreendimento naquele estado, mesmo que as operações sejam na Costa Atlântica, no atual cenário econômico de crise nacional, sinaliza a importância de políticas que garantam condições de viabilizar investimentos no estado e firmou compromissos com a Total para apoiá-la de forma institucional.

AMAPÁ FICA PRA TRÁS – Na última terça-feira (5/7), durante entrevista ao programa Luiz Melo Entrevista (Rádio DiárioFM 90.9), o economista e ex-deputado federal Jurandil Juarez fez previsões difíceis para o Amapá em termos de desenvolvimento. Segundo ele, a falta de estrutura, de logística e empenho das lideranças políticas locais tem deixado o estado em desvantagem na busca do desenvolvimento.

“Está faltando uma visão de futuro para o Amapá, porque não há investimentos principalmente em infraestrutura e logística; a economia está emperrada e quando surge uma perspectiva nova para aquecer a economia nos deparamos com a falta de condições para atrair investimentos. E necessário se pensar melhor no Amapá de hoje para que tenhamos reais condições de respirar ares de desenvolvimento no futuro”, disse Jurandil.

Ao comentar sobre a expectativa de exploração do petróleo na costa do Amapá, cujos trabalhos de prospecção estão em fase inicial, Jurandil Juarez demonstrou pessimismo no que diz respeito à possibilidade de o estado ser beneficiado.

“Fala-se tanto em petróleo, mas vai acontecer o mesmo que ocorre com o pescado e o camarão, por exemplo, porque o estado não tem diretriz, não tem interlocução; todo mundo tira pescado e camarão daqui e nada é taxado, nem há nem estatística a respeito disso; a exploração do petróleo, quando ocorrer, se ocorrer realmente, o grande beneficiado será o Pará, porque as forças econômicas e o governo do Pará atuaram para levar (as empresas) para lá. inclusive mostrando que o Amapá não tem logística, não tem estrutura; eles trabalharam nisso, e as empresas perceberam a vantagem de operar no Pará; por isso o benefício vai todo para o Pará”.

Fonte: Diário Do Amapá